quarta-feira, 27 de abril de 2011

Poesia Suja

Se provoquei a imundície é que estou sorrindo por dentro,
tantos peixes pelo chão, meus pés pisando no lixo e eu com o maior jeito de rica,
tantos vermes e tripas e eu ainda vou depois ao banheiro, moscas e vômito e barrigas de fora...
Tantos freios e tolices, tantas marcas de beijo na blusa,
fumaça e cuspe... Ah, mundo cheio de beleza, há beleza em tuas plantas em teu céu, mas no chão que piso eu deixo a poeira o mijo.
E quando danço o suor pinga, e lá vem a fedentina de mim e do arredor,
e no beijo salivas e entre os dentes a comida de mais cedinho,
ah, e eu toda apaixonada, ah, e eu não tenho um rio para admirar,
o rio parece uma casa, tem sofá, tem comida, tem bixo mutante, ah, e ainda pensar que aquilo já foi para nadar e pescar.
O peixe de lá já esteve no pé de alguém,
o peixe de lá veio da indústria de alguém,
o cheiro de lá é proviniente das mãos de todos...
Ah! Então onde há beleza para que eu possa admirar?
Meus olhos só vêem marcas, para lá e para cá...
Pássaros de plástico negro, branco ou com outra marca,
onde há beleza para eu admirar?
Coçar, morder, rinchar o homem se misturando ao lixo, e o lixo virando gente!

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