segunda-feira, 18 de julho de 2011

noite


Lá da boca do lobo vem o bafo

Que se agarra na minha roupa e perturba minha alma

Os ratos se amontoam, grunhindo a noite toda

Restos de comida, eles querem restos de comida

Entre aquelas grades nascem plantas

Eu as colho e te parabenizo

Eu as colho e te parabenizo

Lá da boca do lobo

Vem um calor inquietante

Que me faz tirar a capa de couro

E sorrir nervosamente

De boca fechada para não engolir

O sonho enfadonho que tive

Ouço meus próprios passos

E na minha cabeça a bagunça começa

Eu reviro os olhos

E enxergo o que há de podre em mim

E vejo que há muito!

Lá da boca do lobo, as águas me convidam para um banho

Virar bicho lixo esguicho

Lá na boca do lobo eu beijo e adormeço

E volto ao início do poema

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