
Lá da boca do lobo vem o bafo
Que se agarra na minha roupa e perturba minha alma
Os ratos se amontoam, grunhindo a noite toda
Restos de comida, eles querem restos de comida
Entre aquelas grades nascem plantas
Eu as colho e te parabenizo
Eu as colho e te parabenizo
Lá da boca do lobo
Vem um calor inquietante
Que me faz tirar a capa de couro
E sorrir nervosamente
De boca fechada para não engolir
O sonho enfadonho que tive
Ouço meus próprios passos
E na minha cabeça a bagunça começa
Eu reviro os olhos
E enxergo o que há de podre em mim
E vejo que há muito!
Lá da boca do lobo, as águas me convidam para um banho
Virar bicho lixo esguicho
Lá na boca do lobo eu beijo e adormeço
E volto ao início do poema
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